Poeira nas Estrelas | Brilia

Cada vez mais a luz se torna uma ferramenta dos cientistas
para descobrir novos planetas na imensidão do Universo.

Qual é a importância da luz para a descoberta de outros planetas no Universo? A dúvida pode surgir na cabeça de qualquer um, mas os astrônomos já sabem que as emissões de luz servem para detectar planetas distantes fora do sistema solar. A luz é a matéria-prima entre os diversos métodos aplicados pela ciência com esse propósito.

Um dos mais eficientes está na medição do comprimento das radiações que fluem das estrelas pulsar, como são chamadas as estrelas mortas que giram rapidamente disparando rajadas de radiação em intervalos assustadoramente precisos.

Como diversos planetas orbitam um pulsar e alteram suas gravidades com o movimento das explosões de radiação, os astrônomos foram capazes de medir essas mudanças e calcular as órbitas de vários planetas. Com esse método (chamado de Velocidade Radial), sabemos que quase mil planetas orbitam outras estrelas, com ampla variedade de tamanhos. “A primeira descoberta de um planeta extra-solar aconteceu em 1995, quando uma equipe da Universidade de Genebra descobriu um planeta na órbita da estrela 51 Pegasi”, afirma Fraser Cain, jornalista canadense especializado em astronomia e editor do website Universe Today.

Na ocasião, os astrônomos usaram espectroscopia para medir o comprimento da onda de luz e captaram variações que pareciam “puxar” a estrela. Ao analisar com atenção o que causava esse refluxo da estrela descobriram que se tratava de um planeta, o 51 Pegasi, que orbitava muito próximo da estrela, superando a distância entre Mercúrio e o Sol. Até essa descoberta, os cientistas acreditavam que não era possível essa proximidade e tiveram que rever suas teorias sobre formação planetária.

Não é só através das explosões de radiações de um pulsar que se pode descobrir novos planetas. O brilho das estrelas também serve como método eficaz. Chamado de Microlente Gravitacional, ele funciona medindo o brilho de uma estrela que passa em frente de outra. A estrela em primeiro plano funciona como uma lente, focalizando a luz com a sua gravidade, criando um “pico” de tempo que serve como um marcador na localização de planetas. Mas a forma mais eficiente de encontrar planetas é o Método de Trânsito. Com ele, os telescópios conseguem medir a quantidade total de luz que vem de uma estrela e, assim, detectar uma ligeira variação na luminosidade quando um planeta passa em sua frente.

Usando essa técnica, a Missão Kepler, da Nasa, descobriu mais de mil planetas fora do sistema solar. Uma dessas identificações foi feita por cientistas voluntários usando o site Planet Hunters. O site foi criado para permitir que voluntários tivessem acesso a dados públicos enviados pelo telescópio Kepler.

Para analisar com maior precisão as inúmeras curvas de luz (deixadas por um planeta quando essa passa em frente à sua estrela hospedeira), um grupo de astrônomos desenvolveu programas de computador para aprimorar o detalhamento e a precisão de possíveis descobertas. “Com o programa foi descoberto o primeiro sistema de sete planetas registrado pelo Kepler.

Uma identificação segura”, afirma o astrônomo Chris Lintott, da Universidade de Oxford, coautor do artigo publicado no Planet Hunters. A equipe de Lintott submeteu a pesquisa ao Astronomical Journal para que a prestigiada publicação científica pudesse avaliar a descoberta, que sugere ser bastante idêntica ao nosso sistema solar. Será que depois dessa fase a ciência irá descobrir vida fora da Terra? Tudo parece ser uma questão de tempo.

“Dado que nos últimos dez anos centenas de planetas foram descobertos girando em torno de outras estrelas, que encontramos água em Marte e ricos compostos de carbono em Titã, a lua de Saturno, é muito provável que a vida não seja exclusivamente nossa. Acredito que seja apenas uma questão de tempo até descobrirmos algum sinal de vida em outro planeta. Não sei se serão anos, décadas ou séculos”, afirma o físico brasileiro Marcelo Gleiser, professor titular no Dartmouth College, em Hannover, nos Estados Unidos. Quem viver, verá!

 

VOCÊ SABIA?

bilhões de estrelas, como o nosso Sol, na Via Láctea.

Centauri. Os astrônomos calculam que ela fica a 4 anos luz

de distância da Terra.

no espaço foi realizada pela sonda espacial Helios B

que atingiu o recorde oficial de 252.792 Km/h.

estrelas.

visível até a distância estratosférica de 130 bilhões

de trilhões de quilômetros. O equivalente a 13

bilhões de anos-luz.

medida comprimento de ano-luz tem o valor

aproximado de 10 trilhões de quilômetros. A medida

ano-luz é usada para mensurar a distância das

estrelas.

(SI), a velocidade da luz no vácuo, simbolizada pela

letra c, é igual a 299.792.458 metros por segundo.

Próxima Centauri, viajando a velocidade mais rápida

que uma nave sonda feita já viajou até hoje.

Láctea, levaríamos 2 milhões de anos viajando a

velocidade da luz.

Usando essa técnica, a Missão Kepler, da

Nasa, descobriu mais de mil planetas fora do

sistema solar. Uma dessas identificações foi feita

por cientistas voluntários usando o site Planet

Hunters. O site foi criado para permitir que

voluntários tivessem acesso a dados públicos

enviados pelo telescópio Kepler. Para analisar

com maior precisão as inúmeras curvas de luz

(deixadas por um planeta quando essa passa

em frente à sua estrela hospedeira), um grupo

de astrônomos desenvolveu programas de

computador para aprimorar o detalhamento e a

precisão de possíveis descobertas. “Com o programa

foi descoberto o primeiro sistema de sete

planetas registrados pelo Kepler. Uma identificação

segura”, afirma o astrônomo Chris Lintott, da

Universidade de Oxford, coautor do artigo publicado

no Planet Hunters.